A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira (11), uma operação para desarticular um esquema criminoso especializado no desvio e na adulteração de medidores utilizados na distribuição de gás natural. A ação, batizada de Operação Medida Certa, é realizada por agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), com apoio do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e de uma concessionária de gás.
Ao todo, são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em endereços na cidade do Rio de Janeiro, em Nova Iguaçu e Belford Roxo, na Baixada Fluminense, além de Congonhas, em Minas Gerais.
Segundo as investigações, o grupo tinha uma estrutura organizada e divisão de tarefas para retirar medidores das instalações de uma concessionária de serviço público. Os equipamentos eram posteriormente transportados, modificados e preparados para serem reutilizados ou comercializados de forma irregular.
As apurações apontam que os envolvidos tinham conhecimento técnico sobre sistemas de medição, manutenção e equipamentos utilizados no segmento de gás natural veicular (GNV). Esse conhecimento permitia que os medidores fossem submetidos a alterações nos componentes internos, nos mecanismos de funcionamento e nas identificações, dificultando a detecção das irregularidades.
Integrante tinha acesso à concessionária
A investigação também identificou a participação de um suspeito que tinha acesso às dependências da empresa. De acordo com a Polícia Civil, ele teria acompanhado a movimentação dos equipamentos, fornecido informações sobre os medidores e facilitado a retirada dos materiais.
Depois que os equipamentos eram retirados da concessionária, outros integrantes ficariam responsáveis pelo transporte, adulteração, comercialização e reutilização dos medidores.
Ainda segundo a investigação, o integrante com acesso privilegiado também teria repassado a proprietários e administradores de postos de combustíveis informações antecipadas sobre fiscalizações. Os dados incluíam possíveis datas, locais e equipes que participariam das operações.
Com essas informações, estabelecimentos que poderiam estar envolvidos em irregularidades tinham tempo para ocultar possíveis evidências ou interromper temporariamente as práticas investigadas.
Empresas de manutenção são investigadas
A Polícia Civil chegou a novas informações durante a análise de dispositivos eletrônicos apreendidos em uma etapa anterior da investigação.
Os agentes identificaram empresas formalmente constituídas que atuam na instalação e manutenção de equipamentos de GNV. Segundo a DDSD, essas empresas podem ter sido utilizadas para viabilizar parte das alterações realizadas nos medidores desviados.
A participação de pessoas físicas e jurídicas ainda está sendo apurada.
Além do prejuízo financeiro provocado pelo desvio dos equipamentos, a investigação busca verificar se as adulterações comprometeram a confiabilidade dos sistemas de medição e a segurança da infraestrutura de distribuição de gás natural.
Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um e a conclusão das apurações, por crimes como furto qualificado, receptação qualificada, associação criminosa e estelionato, além de outros delitos que possam ser identificados no decorrer da investigação.
Fonte: PCERJ


