Uma empresa atribuída ao advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo plataformas de apostas, realizou transferências de R$ 17,7 milhões à Talismã Digital, empresa da influenciadora Virginia Fonseca. Os repasses ocorreram entre março e setembro de 2024 e foram identificados em documentos da investigação encaminhados ao Senado, segundo informações publicadas pelo Brasil 247, com base em reportagens da revista Piauí e da Folha de S.Paulo.
A empresa responsável pelas transferências é a AMP Pay Marketing e Negócios. De acordo com os documentos, os pagamentos foram realizados por meio de cinco remessas via Pix. As movimentações foram consideradas atípicas pelo Banco Santander, que comunicou o caso ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Um dos pontos que chamou a atenção dos órgãos de controle foi o enquadramento tributário da AMP Pay no Simples Nacional, regime destinado a empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. A companhia possui capital social declarado de R$ 50 mil e endereço comercial em Itajaí, Santa Catarina.
Segundo os documentos da investigação, Willer Tomaz teria declarado participação societária na AMP Pay em um e-mail enviado ao Magnum Bank, instituição na qual era cliente em 2024. A Polícia Federal classifica a empresa como suspeita de integrar a estrutura de pessoas jurídicas utilizada pelo advogado para movimentar recursos.
Empresas negam vínculo e irregularidades
O proprietário da AMP Pay, Guilherme Maciel, afirmou que não conhece Willer Tomaz e que a empresa operou regularmente entre 2024 e 2025 como uma plataforma de pagamentos. Ele não detalhou quais serviços teriam sido prestados pela Talismã Digital nem esclareceu questões sobre a estrutura operacional da companhia.
A assessoria de Virginia Fonseca informou que os valores recebidos pela Talismã Digital correspondem a campanhas publicitárias contratadas. A empresa também negou qualquer relação com Willer Tomaz, afirmando que o advogado não participou dos contratos e que a influenciadora nunca manteve contato direto com ele.
Investigação envolve movimentações em plataformas de apostas
A Polícia Federal apura suspeitas de que plataformas de apostas e instituições de pagamento tenham sido utilizadas para movimentar e ocultar recursos. Os investigadores também analisam operações envolvendo a Blaze e empresas relacionadas ao advogado.
De acordo com informações citadas na reportagem, uma nota técnica do Ministério da Fazenda apontou que Willer Tomaz movimentou cerca de R$ 5 bilhões em apostas durante 2025. O advogado também teria realizado saques superiores a R$ 200 milhões no período.
O cruzamento de endereços e dados cadastrais de empresas ligadas ao advogado e à operação da Blaze também é objeto da investigação. Os elementos levantados, segundo a reportagem, ainda não comprovam isoladamente a existência de controle oculto sobre a plataforma.
Virginia Fonseca foi convocada para prestar depoimento à CPI das Bets, em abril de 2025, na condição de testemunha. Na ocasião, foi questionada sobre contratos publicitários com empresas de apostas. Uma proposta de indiciamento apresentada pela relatora da comissão, senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), acabou rejeitada pelos integrantes da CPI.
A investigação da Polícia Federal continua em andamento. As suspeitas envolvendo as transferências e os possíveis vínculos empresariais ainda dependem de apuração e não representam comprovação de crime por parte das empresas ou da influenciadora.


